15 de janeiro de 2013

O telefone toca, era tarde.
— Alô?
— Luc?
— Quem é?
— Você não vê quem é antes de atender o telefone?
— Cara, são 2:30 da manhã Bárbara.
— Não me chama de Bárbara, odeio e você sabe.
— Desculpa amor, o que foi?
— Tô com problema.
— Me diz, o que foi? — Ele se preocupa.
— Tô gorda e sem sono.
— Bárbara! Não acredito que me ligou para isso.
— Queria ouvir elogio mô.
— Babi, você é linda!
— Que lindo, vem cá que estou com vontade de te bater.
— Seja mais romântica, pelo amor de Deus.
— Deixa eu te bater ouvindo Claudinho e Bochecha.
Ele começa a rir, ela se segura e canta.
— Amor sem beijinho, Bochecha sem Claudinho, sou eu assim sem você.
— Para de cantar amor, por favor.
— Canto mal?
— Não, é que sei lá. Tá, você canta mal.
— Que horror amor.
Ele ri. — Me ligou para isso?
— Também.
— O que mais?
— Canta para mim?
— Ah Babi, não.
— Por favor.
— Ai, qual música?
— Só hoje!
— O quê? Nunca!
— Por favor, por mim.
Ele ri e aceita.
— Posso começar?
Ela ficou feliz, ele cantaria. — Pode.
— Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito, nem que seja só para te levar pra casa, depois de um dia normal. — Ele ouve risadas. — Olhar teus olhos de promessas fáceis e te beijar a boca de um jeito que te faça rir, que te faça rir. Hoje eu preciso te abraçar, sentir teu cheiro de roupa limpa, pra esquecer os meus anseios e dormir em paz. — Ele não escuta nada. E continua. — Hoje eu preciso ouvir, qualquer palavra tua, qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria, em estar vivo. Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar e dizendo que eu sou causador da tua insônia, que eu faço tudo errado sempre. Sempre! — Ele para.
— Babi?
Ela tinha caído no sono, ele sorri e diz:
— Boa noite pequena, eu te amo. — E desliga o telefone.

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